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O Esculpidor de Nuvens no Valor Econômico

O aviso de uma inquietação criativa

Por Cadão Volpato | Para o Valor 04/09/2015
http://www.valor.com.br/cultura/4209632/o-aviso-de-uma-inquietacao-criativa


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Linhares: resultado final tem altos e baixos, mas livro não deve ser ignorado

É difícil achar o equilíbrio quando se tenta alcançar alguma coisa diferente num trabalho
artístico. O século passado foi um tempo de grandes invenções, mas as vanguardas parecem girar em torno do próprio eixo, alternando interesse e desinteresse conforme o ciclo. Hoje vivemos um tempo de esgotamento da invenção. Vivemos, aliás, um esgotamento geral.

Ainda assim, algumas cabeças inquietas tentam mover a roda de outra maneira. Na literatura, a narrativa de autoconfissão continua na moda – mas até quando? Ainda é possível inventar alguma coisa nesse terreno? É possível desafiar a hegemonia do romance lançando mão de formas breves? Os leitores se interessariam pelo assunto?

Jogando tudo isso para o lado, o escritor curitibano Otavio Linhares lança o seu segundo livro, uma coletânea inventiva de contos chamada “O Esculpidor de Nuvens” (pela autoexplicativa editora Encrenca – Literatura de Invenção). Como toda iniciativa fora da curva, o livro nem sempre é bem-sucedido. Tem a vantagem de ser curto, mesmo porque a pontuação do autor não quer saber de vírgulas e outras formalidades do gênero. Às vezes, a poesia também incomoda. Termos esquisitos como “bafo de origames” e achados desencontrados como “a memória é um chute no saco que dura a vida inteira” não ajudam muito. O conjunto, no entanto, tem vida. Nota-se que o escritor está tateando para descobrir um caminho próprio, e não há nada de errado nisso. Se atravessamos a invenção toda, às vezes ruidosa demais, conseguimos descobrir uma narrativa ali, ainda que barulhenta.

“O Esculpidor de Nuvens”, cujo título já é um convite a um lirismo um tanto precioso, reúne dois blocos de contos ou formas muito breves. É preciso que se diga: brevidade não é invenção. Curitiba, aliás, é um dos principais palcos do breve no Brasil, graças aos escritos cada vez mais curtos, incisivos e cruéis de Dalton Trevisan, que também se arrisca ao andar na corda bamba do lirismo. No caso de “O Esculpidor de Nuvens”, a primeira parte centrada numa voz infantil, e “O Cão Mentecapto”, a segunda, em que uma voz adulta vaga por Curitiba, lirismo e cinismo tentam chegar a um acordo. O resultado final tem altos e baixos, mas não deve ser ignorado. O eterno problema para quem trabalha com registros poéticos em prosa é aparar as arestas incessantemente, uma função muito mais próxima da poesia do que pode parecer numa primeira aproximação. É coisa de ourives, e a tendência é uma grande insatisfação.

Que o curitibano Otavio Linhares esteja trilhando por esse caminho é, no mínimo, o aviso de uma inquietação. Isso é bem melhor do que fingir-se de morto e tentar acertar no gosto médio de um suposto leitor que não existe, é invenção.

SERVIÇO
“O Esculpidor de Nuvens” Otavio Linhares Encrenca 112 págs., R$ 32,00 / BB+

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resenha d’O ESCULPIDOR DE NUVENS para a Gazeta do Povo

“O Esculpidor de Nuvens” marca pela densidade poética

Segundo livro de Otavio Linhares atravessa o passado para estabelecer uma linguagemmemorialista própria

31/07/2015 / 17h30 / Daniel Zanella Especial para a Gazeta do Povo

Texto publicado na edição impressa de 01 de agosto de 2015


foto de Olívia D'Agnoluzzo

foto de Olívia D’Agnoluzzo

Em “Nova Poética”, Manuel Bandeira apresenta um propósito: “Vou lançar a teoria do poeta sórdido./ Poeta sórdido:/ Aquele em cuja poesia há a marca suja da vida.” O ideário é plenamente adequado para localizar “O Esculpidor de Nuvens”, segundo livro do curitibano Otavio Linhares, uma descida ao chão escorregadio das memórias primeiras. “me conta a estória da tua adolescência. comece do começo. não se perca em fábulas e vozes. e não se atreva a me labirintar entre corredores escuros e sombrios. não crie tabelas.”

Linhares não é o primeiro, nem será o último a revisitar o passado – toda literatura é exercício de resgate. O que “O Esculpidor de Nuvens” promove de singularidade é uma carga lírica bem acima da média aliada a elementos da escuridão mais densa. Numa encruzilhada entre a dramaturgia de Samuel Beckett, visível principalmente nas elipses narrativas, e uma poética do cotidiano-chão, das palavras que se criam, se chocam e se condensam (como Manuel Bandeira fazia ao andar no interior dos sentidos), a obra se prevalece de um terreno onde nada é permanente, tudo está em trânsito, em constante significação. O resultado é provocante, raramente carregado – possíveis ecos do volume dramatúrgico inerente à obra de Linhares – e estruturalmente corajoso.

Não há compromisso com uma narrativa em si. A própria experiência de recontar literariamente o passado permite um jogo de labirintos e campos abertos, onde cada frase ou capítulo existe para gerar efeito e sentido por si. Ou nenhum dos dois, apenas para proporcionar uma ligação de palavras diferenciada, solo cativo da poesia: “comecei a beber eu tinha 13 anos. Aí eu fui numa festa bebi e entrei em coma alcoólico. parei de beber eu tinha 13 anos.” De uns tempos para cá, muito se tem dito sobre a autoficção, isso de reescrever a própria vida entre o real e o inventado. Em certo momento, por exemplo, Linhares refere-se ao seu personagem como Tavinho, possível vocativo familiar. Importa? Não. Se os autores usam a realidade – seja lá o que isso queira dizer –, para recriar, redizer ou mentir descaradamente, o que de fato vale, na contagem lúdica das bibliotecas, é a capacidade do narrador em produzir impacto, sensação, desmanche, sonho.Nisso de promover contrastes através da “sujidade” do passado, “O Esculpidor de Nuvens” é muito competente. Um livro nada comum.


SERVIÇO

Encrenca – Literatura de Invenção
http://encrencaliteratura.com.br/loja-online
112 páginas / R$ 32,00

ENCRENCA entrevista Fausto Fawcett

Entrevista concedida para comemorar o lançamento das reedições dos livros Santa Clara Poltergeist e Básico Instinto (ENCRENCA), mais o inédito pocket book do conto Katia Flavia em parceria com a Jurubeba Produções e a Saraguina Filmes, que acontecerá em São Paulo nesta quinta feira, no dia 27/11, a partir das 19 hs, na Buenas BookStore dentro do Bar Teatro Cemitério de Automóveis (ver infos ao final da entrevista).

entrevista por Fabiano Vianna

ENCRENCA – Charles Baudelaire definiu o flâneur como uma pessoa que anda pela cidade a fim de experimentá-la. Suas histórias, Fausto, são impregnadas de urbanidade. As cidades, às vezes, são, inclusive, o mote principal (também em algumas letras de músicas).  Você costuma andar muito a pé pela cidade, a fim de capturar ideogramas, sinais, signos para suas construções? Ou as caminhadas acontecem apenas dentro de sua mente e/ou nas retinas das telas?

Cachorrada Doentia: Fausto Fawcett ataca fundamentalismos

Cachorrada Doentia: Fausto Fawcett ataca fundamentalismos

FAUSTO – Pois é, eu realmente adoro rua. A primeira coisa que eu faço ao chegar a qualquer cidade é fazer o reconhecimento das redondezas de onde estou instalado, hospedado, pra apreender o que acontece nas esquinas, a movimentação, afinar meu gps mental com o ambiente geográfico e social. E é obvio que quanto maior a cidade melhor pois o cinema de ocorrências é constante e mais inesperado, ou sortido, digamos assim, já que inesperado já não é uma palavra condizente com a quantidade de fatos que advém do mundo cão, da ciência, das negociações clandestinas, dos variados descalabros humanos que colonizam nossas mentes, fecundam nossa imaginação através de vivências, testemunhos reais ou via noticiários e ficções gerais. E já que falei nessa fecundação artificial audiovisual é claro que o flâneur de rua, o flâneur de mídia e o auto flâneur da própria mente e seus labirintos de percepção se sobrepõem, dialogam e se fundem.

ENCRENCA – Você define sua maneira de escrever como rap d´groove, batida verbal. Esta linguagem falada veloz, metralhadora musicada. Com versos que se repetem. Super mega adjetivada. Às vezes, chega a unir adjetivos com signos. Tipo “loirinha Asimov”, etc. Você chegou neste formato de forma racional, pensada, ou ele foi se formando naturalmente? Tem a ver com a velocidade de escrita mental? Você naturalmente escreve (e pensa) desta maneira? E você acha que a repetição de alguns trechos, nos contos, funcionam como os refrãos das canções? Grifam uma ideia?

FAUSTO – Você acertou em todas as afirmações contidas nas perguntas ou seja, veio de forma natural. Eu encaro mesmo a escrita como uma partitura mental, um eletro encefalograma constante e eu realmente vou pensando dessa maneira num pique de batida visionária, e como o rap, quer dizer, a falação ritmada é muito presente no que faço. Não tem erro: personagens, situações, frases viram refrões porque sentimentos, conceitos são de certas forma refrões, recorrências nas vidas das pessoas e por que também sou obsessivo com vários assuntos que jamais vão se esgotar e é preciso sempre grifa-los.

ENCRENCA – A velocidade provoca, para aquele que avança num veículo, um achatamento da paisagem. Quanto mais rápido o movimento, menos profundidade as coisas têm, mais chapadas ficam, como se estivessem contra um muro, contra uma tela. A cidade contemporânea corresponderia a este novo olhar. Os seus prédios e habitantes passariam pelo mesmo processo de superficialização, a paisagem urbana se confundindo com outdoors. O mundo se converte num cenário, os indivíduos em personagens. Cidade-cinema. Tudo é imagem.”
Nelson Brissac Peixoto

O que mudou na velocidade de hoje? Com twittagens, outdoors eletrônicos, velocidade da cidade? Com tantos gadgets e aplicativos ainda há tempo para literatura escrita? E, se tiver, ainda há tempo para romance, frente ao conto? Estas mudanças, desde seu primeiro livro para cá, modificaram sua forma de escrita e criações? Como você pensa em agregar esta velocidade twitter urbana em suas histórias? Se fosse hoje em dia, Kátia Flávia mandaria twitters ou SMS para a polícia?

FAUSTO – A literatura está intacta no seu aspecto comercial, no seu nicho de mercado do entretenimento cheio de publicação virtual e encontros de autores em feiras literárias. E continua firme na sua marginalidade filosófica pois a função critica, o impacto crítico das reflexões, a desvalorização da introspecção e outros fatores desumanizadores, anti humanistas das sociedades atuais continuam a pleno vapor. Quanto a influência das redes sociais, das velocidades digitais, é praticamente nula pois fragmentações de discurso, palimpsestos, palavras valise, neologismos, concretismos, dadaísmos, já ocorreram e James Joyce, Cervantes, Cummings, Rimbaud, Lewis Carrol, Guimarães Rosa, etc, já foram fundo em todas as influências que poderiam, podem, poderão advir da volúpia urbana e científica e psíquica e social e de mídia. Tudo já foi demarcado pela literatura antes do audiovisual, que tem seu caminho próprio, é claro, mas em termos de temática já pegou tudo pronto pela literatura humanista e religiosa. É preciso entender que velocidade, conforto e portabilidade facilitadoras da vida são a santa trindade do consumo desde sempre. Quando dizemos como pude viver sem isso até hoje? Quando um fedelho se espanta com uma máquina de trinta anos atrás obviamente não digital, o que acontece é a afirmação da velocidade e do conforto que essa velocidade traz para nós, o que não é sinônimo de evolução cognitiva, moral ou ética ou de uma percepção intelectual mais aguda, nada disso. Apenas velocidade e conforto. Daí que esse processo moderno cheio de glamour vertiginoso das eternas substituições de novidades já entrou num ritmo de rotina vulgar, banalidade corriqueira, e ninguém mais se espanta com a capacidade robótica ou telemática de uma máquina porque é pra ser assim e será consumida e pronto. Será obsoleta daqui a um tempo e ponto semi final, pois será sempre o penúltimo tipo. Não frequento redes sociais e isso tem, é claro, um aspecto prejudicial no que se refere a divulgação de trabalhos e a dinâmica de contatos já que como dizem “todos estão na rede.” Mas ainda vou levando na boa minha vida sem facebooks, instagrams e twitter, que alias é a única conta que tenho mas não vou lá há quatro anos. Mas alguma hora vou fazer uma imersão tanto na edição de mensagens e imagens e arquivos como na observação zoológica dos narcisismos, carências e boçalidades que pululam com vontade no Coliseu virtual. Os dobermans do irracional superior rosnando no mundinho zero/um. Mas tá tudo na desordem necessária e pra dizer a verdade o que rola é uma tagarelice digital muito interessante no quesito mega reza, mega rap mundial de fragmentos de comunicação, mas muito cretino e frívolo no quesito alguma coisa pra se dizer. Muitos brinquedinhos de aplicativos corroborando a flipperamização das nossas vidas. Somos todos midianfibios, metade máquina-mídia e metade mais ou menos humanos.

logo encrenca

ENCRENCA – Segundo William Gibson, em seu livro Neuromancer, o indivíduo cyberpunk é uma espécie de “pichador virtual” que se utiliza de seu conhecimento acima da média dos usuários para realizar protestos contra a sistemática vigente das grandes corporações. O argumento da escrita cyberpunk se centra em um conflito entre hackers, inteligências artificiais, e megacorporações, tendentes a serem postos dentro da Terra num futuro próximo, em oposição ao futuro distante panorama de encontros galácticos em romances como a Fundação, de Isaac Asimov, ou Dune, de Frank Herbert.

Derek, do seu conto “Copacabana Hong Kong”, do Básico Instinto, é uma figura assim. Superdotado metafísico, inteligente e fodido pra caralho.O Cyberpunk tem esta característica, de ser um futuro possível, a alguns instantes. Diferente de outros caminhos e possibilidades da ficção científica. Você se identifica mais com isso? Com este utopia próxima, provável? Como possíveis garagens clandestinas de invenções científicas robóticas ocultas? Você acha que vivemos este momento, uma nova revolução das máquinas? Ou isso continua e vêm desde a Revolução Industrial?

FAUSTO – Como eu disse na resposta anterior a banalidade das inovações e das invenções e empreendimentos tecnológicos tira na minha opinião qualquer possibilidade de termos um cenário de singularidade, ou seja, revolução das máquinas super inteligentes como na franquia   Exterminador do Futuro. Colapsos, hackers e descontroles em série talvez aconteçam. O universo cyber tinha a ver com um começo de desregulamentação das amarras nacionais e jurídicas em relação às negociações financeiras entre empresas transnacionais, o que transformou essas mesmas empresas em estados informais. Com os computadores pessoais e a internet, essa desregulamentação ganhou um componente de vaselina digital extremamente penetrante, facilitando a movimentação dos negócios e submetendo de certa forma os estados nacionais aos assim chamados mercados ou às empresas-estado, gigantescas e cheias de labirintos de negócios. Onde começa o petróleo e acaba a plantação de soja na tela financeira? Nos anos 90 com a internet, a engenharia computacional de consumo engatinhando o sonho de um mundo virtual, um mundo paralelo de simulações e aventuras e socialismos utopicamente digitais cheios de anarquia tecnotrônica ganhou as mentes criativas e Wiliam Gibson foi o papa dessa perspectiva. Acrescente-se ainda a fauna de desajustados e outsiders, foras da lei da normalidade familiar e profissional, excluídos e malucos manipuladores de tecnologias cibernéticas que formavam um lumpen necessário, o grupo necessário pra desafiar o mundo dessas empresas-estado. Essa ideia já vinha da década de setenta e foi usada e abusada por caras como Marcuse e Foucault. Esse lumpen tomou o lugar do operário como o ser da consciência anti burguesa. Junte tudo isso, empresas mega gigantes se transformando em estados dentro dos estados via mercado como entidade onipresente onisciente, onipotente, tecnologia computacional também tentacular na vida das pessoas urbanopatas , o lumpen e, voilá, a distopia cyber punk estava moldada. Mas foi atropelada pela tal banalidade, vulgaridade tecnológica do consumo corruptor e as tendências de curto prazo é que mandam colocando distopias e utopias pra escanteio definitivo. Observando que, de fato, eugenias, manipulações neurais de identidade e clandestinidades robóticas contribuirão com uma tecno ciência lado b (antiquíssima, diga-se de passagem) para o PIB mundial.

ENCRENCA – Kátia Flávia, Chacininha, Vanuza Gina (a loura), Viviane Vancouver, Vanessa Von Chrysler, Samantha Kelly Morgan. Algumas de suas fêmeas poderosas, garotas “pulpadas” “metropolizadas” foram inspiradas em pessoas reais? Alguma garota que conheceu numa das andanças pelos becos obscuros das cidades? Alguma foi inspirada em personagem de HQ, filme, coisa assim?

FAUSTO – Conheci muitas mulheres poderosas. Algumas sem o menor charme de HQ heavy metal. Simplesmente batalhadoras normais. Mas posso dizer que na boemia da putaria aí sim, esbarrei com muitas encarnações de amazonas decaídas com corpos esculturais e enfim sempre fui fascinado por mulheres que botam pra quebrar se utilizando com maestria, maquiavelismo e brilhantismo de todos os inventados/herdados evolutivamente comportamentos dos subgêneros do gênero feminino, ou seja, fêmea fatal, mãe, garotinha brincalhona e profissional de ponta. Mas claro que na ficção as gostosonas polpudas cheias de charme e ferocidade suculenta e às vezes doentia e sociopata ganham destaque. São minhas preferidas. As destrutivas sempre dão um caldo mais espesso.

ENCRENCA – Vários de seus contos citam ícones midiáticos como Sílvia Pfeifer, Carolina Dieckmann, Sharon Stone…  Assim como citações de desenhos ou filmes antigos tipo “Johnny Quest”, por exemplo. Alguns nomes destes já estão longe da mídia e talvez, daqui a um tempo as novas gerações nem conheçam. Você acha que de alguma forma, isso pode ficar datado? Ou perder a força motriz representativa? Ou já deixaram marca na história e mesmo os que vierem depois terão o discernimento e a possibilidade de entender suas áureas?

FAUSTO – Pois é, nessas reedições dos livros isso era uma preocupação mas descobri que a segunda opção que você sugeriu era a mais forte, ou seja, Johnny Quest, Silvia Pfeiffer e outras referências permanecem isso mesmo: referências que fornecem uma informação pontual sobre aquela época e também acentuam um tempo de uma tradição midiática no caso desenhos animados com teor cientifico e as modelos que acabaram crescendo junto com a indústria da moda. Sem problema.

ENCRENCA – Nunca pensou em fazer fotonovelas cyberpunk eróticas ou filmes para internet ou celular? Ao molde das revistas pulp dos anos 30/40? Nunca pensou em fazer uma HQ noir putanesca cyberpunk?

Ilustração de Iuri Casaes

Ilustração de Iuri Casaes

FAUSTO – Claro que sim, mas achar parceiros de HQ não é tão fácil, ou pelo menos quando comecei a fazer esboçava uma parceria e ela terminava logo. Mas com certeza isso já esta sendo encaminhado. A história d’A Kátia Flavia acaba de ser formatada em HQ e vai virar fIlme.

ENCRENCA – Que autores literários, HQS, você costuma transar? Além de “Laranja Mecânica”, do Kubrick, que outros filmes te inspiram na hora de escrever? Nunca pensou em produzir um filme sobre a Kátia Flávia ou outro personagem de seus livros? Quem sabe um “Sin City” brasuca. Com garotas noir cariocas e tupiniquins?

FAUSTO – A segunda parte da pergunta já está de certa forma respondida na anterior só acrescentando que o clima vai ser mais de brega runner como convém à Kátia Flavia, do que Sin City, o que até me agrada mais porque o clima de feira desenfreada com favelas e bairros cheios de concentração imobiliária de teor fumê e mármore cafonas de terceiro mundo me interessam mais do que clima noir. Gosto do sombrio ensolarado. Gosto de Frank Miller e Alan Moore. Com todas as honras pra Bob Kane e todos os que engendraram o Batman em todos os seus sei lá oitenta anos, assim como Stan Lee e a vasta fauna de autores de histórias em quadrinhos que me fecundaram a mente na infância.

Fabiano Vianna

Fabiano Vianna

ENCRENCA – Dalton Trevisan, escritor curitibano, nosso mestre vampiro, ficou mundialmente conhecido por escrever contos. Assim como o mestre Rubem Fonseca, de quem eu sei que você é leitor. Você tem uma preferência na hora de ler? Prefere o conto ou romance?

FAUSTO – Leio de tudo mas te digo que a minha preferência mesmo são os ensaios e os romances-ensaios como os do Aldous Huxley ou do Umberto Eco, ou mesmo O Jogo das Contas de Vidro, do Hermann Hesse, ou Reflexos do Baile, do Antonio Callado. Enfim, existe uma turma de filósofos e escritores com competência ensaística de quem eu gosto muito, mas claro que me interesso e devoro contos e romances e jornalismo e diários oficiais e documentos federais e livros de biologia e química, revistas científicas, teses bem eruditas e almanaques de religião.

ENCRENCA – Básico Instinto é um livro veloz, com histórias mais curtas. São fábulas urbanas, histórias de personagens. Em Copacabana Lua Cheia você se aventurou numa prosa mais longa, em primeira pessoa.  Tem uma coisa de romance detetivesco, resolvendo enigmas, voyeur. Quase um diário relato, observando a cidade e vivenciando tudo com a Samantha Kelly.  O que você pensa ou sentiu comparando estas duas experiências?

FAUSTO – Copacabana Lua Cheia é praticamente uma autobiografia com intenção de diário. Eu de certa forma nesse livro puxei o freio dos delírios e digressões pesadas e deixei o protagonismo pras divagações e narrações em tom de reportagem daquilo que é um retrato da minha vida mas também da Copacabana dos anos noventa. É uma homenagem a Copacabana.

ENCRENCA – O fabuloso conto Vanuza e Rachid, do livro Básico Instinto, se passa no Amazonas. Como nasceu esta história? Foi uma vontade de mudar de ares? De sair um pouco da atmosfera Copacabana,  Sudeste do Brasil, e ir para o Norte? Ou foi inspirado por alguma notícia filme telejornal?

Ilustração de Theo Szczepanski / Capa de Frede Tizzot

Ilustração de Theo Szczepanski / Capa de Frede Tizzot

FAUSTO – Além dos inóspitos becos e labirintos das manchas urbanas, outra coisa que me fascina são as cidades de fronteira onde os Estados somem, onde as jurisdições flutuam, onde todos os câmbios e intercâmbios se misturam. Gosto dessas terras de ninguém e de todo mundo. Cosmopolitismo descalço na mata pesada ou nos desertos ou cidades fantasmas. Adoro esse tipo de lugar e a Amazônia é pra mim a versão mata pesada da selva urbana. Numa tem bioma, na outra urbeoma. Becos e territórios inóspitos e gente de todo tipo. Xamanismo publicitário urbano, dos desejos urbanos conversando com os xamanismos   churriados dos indígenas agregados, encostados, já devidamente mafiosos e alucinados que circulam por ali. Todo mundo tem pinta de aventureiro nesse parte temático verde. Por isso volta e meia dirijo minha imaginação pra Amazônia.

ENCRENCA – O conto Vladimir e Chacininha, do livro Básico Instinto, parece saído de um tabloide sensacionalista.  Você costuma transar estes tipos de publicações? Compra, coleciona jornais com notícias bizarras? De onde nasceu a ideia para este causo rubro, urbano e trágico?

FAUSTO – Outro universo que eu adoro, o do mundo cão sensacionalista onde a vida é um show às vezes macabro, às vezes engraçado, sempre terrível e sombrio escancarando que sempre estamos por um fio no que diz respeito as paixões, as brutalidades, as invejas, iras, orgulhos, boçalidades e principalmente ao ódio que em doses variadas tá colado no amor ou obviamente, na falta dele ou às vezes simplesmente acontece por capricho assassino. Mas no caso de Valdemir e Chacininha o mote principal é a visão gnóstica assim como em Vanuza e Rachid onde a Amazônia funciona como um cenário a serviço desse mote, o sensacionalismo mundo-cão também esta subordinado a ele e dá o toque de estética exploitation sádica ao mesmo tempo.

ENCRENCA – “A empresa tradicional do olhar não é mais possível, na medida em que pressupunha uma identidade e um significado intrínseco das coisas. Olhar então implicava descobrir um sentido que se tomava por dado nos indivíduos, relações e paisagens. Esta suposição de uma realidade anterior ao olhar, ao complexo processo de exposição que chamamos comunicação, é que, porém vem sendo colocada em xeque. Como se constitui aquilo que hoje se apresenta ao nosso olhar?” Nelson Brissac Peixoto

No conto “Vladimir e Chacininha” você conjectura um cu-diafragma máquina Yashica. Em “Copacabana Lua Cheia”, Samantha ganha a vida disparando e vendendo polaroides vaginais. A fotografia sempre esteve presente em suas histórias. Como será, em sua opinião, a partir de agora, neste mundo onde a imagem e fotografia tornam-se cada vez mais banais? Onde qualquer liquidificador dispara fotos? Você acha que na medida em que avançamos cada mais para a tecnológico total, voltaremos os olhares para o passado?

Ilustração de Theo Szczepanski / Capa de Frede Tizzot

Ilustração de Theo Szczepanski / Capa de Frede Tizzot

FAUSTO – Gostei do liquidificador disparador de fotos. A verdade é que o futuro já era como referência de pensamento e a antiguidade, ou as antiguidades, toda hora cobram pedágios do nosso presente constante que é a única referência. Pra mim a cena do filme “2001 Uma Odisséia no Espaço” em que o primata joga o osso pra cima e ele vira estação orbital ainda é a síntese de que somos macacos demiurgos, animais culturais, feras com autoconsciência, enfim, continuamos apenas customizando, criando focinheiras e chicotes e açúcares de acordo com cada época para os básicos instintos agregadores ou desagregadores devidamente temperados por inércias e repetições cotidianas, rotinas sedimentadoras gerando campos de força afetivos que podem ser modificados a qualquer momento. Não avançamos, apenas aperfeiçoamos as domesticações visando diminuir a selvageria psíquica, social, que move o mundo. Sentidos pra vida já foram dados por religiões sobrenaturais, já foram dados por estados e religiões humanistas da política e agora sentidos tentam ser inventados, obtidos, dados por tecnocracias, positivismos otimizadores à granel. Sem a idiotice das utopias revolucionárias e sanguinárias porque anti humanas. História movida por sucessões de   círculos, de fases tá na moda de novo. Eras de ouro do passado nunca abandonaram o tesão mitológico que habita nossos corações. O que tem mesmo é superposição de ruínas culturais gerando uma estranha vitalidade. Nada de progresso, meu amigo, somos escravos de Sísifo empurrando a pedra do eterno retorno pra sempre, Oroboros, cobra mordendo o próprio rabo do infinito. E a tecnologia não escapa disso. Vivemos a era do maneirismo de consumo tecnológico. Não há mais espaço pra novidade e a inovação é uma mera animação tecno social bem vinda, mas é sempre curtição funcional pra facilitar a vida que é pra isso que serve e já é demais. Maneirismo de consumo tecnológico, melhorias nos detalhes dos funcionamentos maquinais, detalhes das reciclagens tecnológicas e sociais. Labirinto de demandas e entroncamentos técnicos. Somos o macaco de 2001 ou a Lucy /Scarlet tocando capelasistinamente o dedo indicador da primata primeira, a Eva de Darwin.

ENCRENCA – Você diz que Copacabana é um bairro purgatório. “Se para o Gilberto Gil, a Bahia deu régua e compasso, Copacabana te deu a papelaria inteira”. Você acredita que a riqueza e a inspiração advém tanto do que é bom ou mal em sua essência maior e mais intensa? O que é maléfico e danoso realça as qualidades do que é bom e virginal?

FAUSTO – Não tem jeito, temos que lidar com o positivo operante e com o negativo operante pra usar o jargão policial militar. Se trabalhamos com entretenimento mesclado com reflexão, divertimento com pensamento crítico temos que assumir que seremos sempre vigilantes observadores de tudo e de todos principalmente de nós mesmos. Somos os tarados fascinados pela aberração da natureza chamada auto consciência e suas ramificações e contratos sociais e seus conflitos, dramas e épicos etc. Como eu já disse, instintos agregadores e desagregadores compõem nossas estruturas psíquicas além das inércias e rotinas, e é com esses três elementos que fazemos todas as limonadas artísticas e existenciais.

Fausto Fawcett

Fausto Fawcett

ENCRENCA – Como é seu processo de escrita? Você escreve em pedaços, papéis, cadernos? Digita direto no computador? Com telas ligadas? Às vezes, dá uma parada para caminhar pela cidade? Costuma caminhar onde, quando quer dar uma espairecida ou engendrar histórias?

FAUSTO – Geralmente monto um altar com certas fotos, certos livros, certas imagens que vão se juntando pra servirem de talismã para aquele trabalho e fico olhando ao lado do meu lap top praquele altar. Não sei porque mas é sempre assim. Outra coisa é que eu gosto de estudar sempre todo tipo de assunto e quando tenho um escolhido faço uma espécie de almanaque xerocado de notícias e trechos de teses e ensaios sobre ele. Escrevo sempre com musica e a TV fica ligada direto em casa como uma lareira. Também caminho muito e nessas caminhadas aparecem sequências e sequências de textos, imagens e eu vou decorando os textos e depois tomo nota num caderno e aí sim passo pro computador. Rap de groove, batidão mental é full time e sensurround. Ambiente total.

ENCRENCA – Você acha que ainda vivemos na sombra do “Mad Max”? Ou hoje em dia, ainda mais? Ou já estamos aquém disso ou no caminho exato de Mad Max?  Pode falar mais sobre esta ideia?

FAUSTO – Com os problemas de seca em SP e uma primeira tentativa do embate com o Rio por instantes parecia que estávamos vendo um trailer do que pode acontecer ou seja guerras por água ou biomas ou substancias ligadas às forças energéticas disponíveis por ai. É claro que a sombra da situação aventada nesse filme, uma situação pós apocalíptica, pode acontecer em certos lugares do planeta. Não pós apocalíptica porque a princípio não teremos guerra nuclear (talvez bioquímica e lisérgica) mas presentemente apocalíptica pois revelações é o que não faltam a todo segundo todo minuto .

Ilustração de Theo Szczepanski / Capa de Frede Tizzot

Ilustração de Theo Szczepanski

ENCRENCA – Algumas pessoas tem medo de Copacabana. Já ouvi gente dizendo “Não aguento aquilo. É muita agitação”. Você vive há quanto tempo lá? Acha que um dia deixará Copacabana? Pensa em se mudar para outro bairro ou cidade? Conseguiria viver numa vila pacata à sombra dos coqueiros? Se mudasse iria para onde?

FAUSTO – Vivo há quarenta anos aqui e não pretendo sair porque é uma fusão de urbanidade e amplidão praiana difícil de ser encontrada. Talvez fosse pra Cidade do México ou Hong Kong ou mesmo Amazônia, como já falei acima. Mas lugar pacato não dá. A não ser que fosse falsamente pacato, de fronteira ou cidade laboratório cheia de instituições cientificas, tecno científicas com projetos ocultos.

ENCRENCA – Entre os livros que escreveu, você tem preferências? Odeia algum deles? A preferência é sempre o “porvir”?

FAUSTO – Gosto de todos e claro o próximo é sempre o mais tezudo.

ENCRENCA – Percebi que além das louraças, presentes no cabaré samba funk do Básico Instinto, surgiram personagens nisseis, mulatas e outras nas obras seguintes. Para você, as louras são fruto exclusivo do “Básico Instinto” ou voltarão em projetos vindouros? O que as louras representam no seu universo mítico? O que elas simbolizam para você? E qual foi o impacto da ópera rock “Básico Instinto” e das louraças na época?

FAUSTO – Adoro o universo amarelo, seja o das orientais ou das louraças, e o Básico Instinto foi uma homenagem a essa preferência que tenho pelas meninas de pouca melanina e cabelos dourados. Falsas ou escandinavas. Digo também que era mais do que isso, era uma homenagem ao teatro de revista, a Carlos Machado, Walter Pinto, Sargentelli, Chacrinha, Carlos Imperial, Moulin Rouge, Crazy Horse e todas as boates do mundo onde rolem shows com mulheres. As louras não eram só uma preferência pessoal e o sucesso do show corroborou isso. As louras tem um lugar de destaque na publicidade, no imaginário geral independente de colonialismos ou o que for já que nas arábias, na Ásia, em qualquer lugar, a loura vale uma grana para os haréns clandestinos. As meninas da cortina de ferro, depois que esta caiu, são as mais procuradas por exemplo para trafico e prostituição de luxo. Cortininha de ferro. E tem muita loura nessa cortininha. O fato dos maiores mitos femininos do cinema serem louras, o fato da padroeira da comunicação ser uma loura (Santa Clara de Assis) são outros quesitos importantes a serem lembrados e, no caso específico do show, o fato de meninas de classe media assumirem sua sensualidade, sua putinha interior, de forma vedética, corista e agressiva emolduradas por uma super banda e pela mitologia do filme Basic Instinct, em que a Sharon Stone inaugura o estrelato das psicopatas fêmeas, contribuiu muito pro êxito da empreitada.

ENCRENCA – Que atrizes brasileiras atuais você escolheria para encenar suas louras no cinema, se Kátia Flávia, Facada Leite-Moça ou Vanuza & Rachid fossem filmados?

FAUSTO – Angélica, Caroline Dieckmann e Mariana Ximenes

ENCRENCA – Você acrescentou dois contos novos na nova edição do Básico Instinto, pelo selo curitibano Encrenca. Como são estes contos novos? Dialogam com a atmosfera do livro? Quando escreveu estes? Surgiram como?

FAUSTO – Os contos são de 2002 (O pacificador) e 2004 (Visita Veneno) e surgiram a partir de convites para colaborar com coletâneas. Uma foi “Os Transgressores” e a outra “A Visita”, pela editora Barracuda. Entraram dentro do Básico Instinto como um novo módulo chamado “Lobos Solitários” e o assunto é esse mesmo, dois personagens, dois homens, um militar e outro civil, ambos à deriva, com missões específicas e uma misantropia acentuada. O primeiro é um pacificador pois tem vocação pra recrutar, capturar gente atormentada mas muito inteligente e que tá por aí bicho solto sem eira nem beira. Arregimenta para certas legiões estrangeiras espalhadas por esse mundo. O outro é um motovelho, um neoidoso que tem como missão entregar pizzas alucinógenas e mortais sob o comando de um casal sádico que filma e transmite na web profunda a morte dessas pessoas envenenadas pelas pizzas com câmeras acopladas nas latas de refrigerantes e cervejas que vão junto com as pizzas. São naturezas mortas devidamente calabresas. Mas o que importa é a vitalidade sinistra que surge da solidão de raiz desses dois personagens. Limbos misantrópicos.

ENCRENCA – O que mudou na tua literatura desde o Santa Clara Poltergeist até hoje? Percebe alguma modificação em termos de linguagem? De alguma forma seus livros estão todos interligados. Tanto os personagens, quanto os temas. Isso é proposital ou acontece institivamente?

FAUSTO – Na real é o mesmo filme literário sendo rodado, pois minhas obsessões e assuntos ligados a tecnociência, a megamanchas urbanas cheias de crise e caos só ganham novas perspectivas a cada ano. Os livros estão intactos quanto à atualidades e eteceteras que mais.

Ilustração de Theo Szczepanski

Ilustração de Theo Szczepanski

ENCRENCA – Pode falar sobre seu próximo livro Cachorrada Doentia? Será um livro de contos ou romance? Quais serão os temas e a ideia geral do livro?

FAUSTO – O livro trata dos indivíduos “foda-se”, dos franco atiradores que têm aparecido nas mais variadas sociedades e urbanidades, pois estamos vivendo um excesso de civilização, domesticação, colonização cuidadora da vida, esse excesso de civilização vai gerando fundamentalistas que querem segurança de alguma certeza, uma espécie de transtorno do dogma. Implicam com esse ser humano atual, segundo eles meio frouxo, cheio de respeito às diferenças, as pluralidades, aos direitos humanos, a tecnocracia. Pouca civilização gera fundamentalistas, mas muita civilidade e civilização também. Será um ensaio com ficções rasantes fragmentadas em capítulos curtos. Não deixa de ser uma continuação do Básico Instinto.

ENCRENCA – Vi você falar numa entrevista, sobre um livro chamado “Loirinha Levada”. Ele se transformou em outro, mudou o título? Ou ainda está em fase de gestação? Como ele será?

FAUSTO – Esta completamente parado, mas alguma hora vou retomar a história dessa lourinha hiper sagaz e muito perigosa.

ENCRENCA – Você diz que escritor novo não deve se preocupar com os best-sellers. Tem que escrever com obsessão e não achar que é a oitava maravilha do mundo. Você acha que o aperfeiçoamento vem com a prática? É preciso se desprender um pouco dos clássicos e focar nas referências mais genuínas, naturais, próximas? Como é (e foi) isto para você?

FAUSTO – Tem que colar nos clássicos e desenvolver um universo próprio, obsessões próprias, mas com interesses vastos, curiosidade no nove da escala Richter. Não se preocupar com vendas pra criar porque ninguém nunca sabe nada a respeito do público. A não ser que é humano, mais ou menos humano.

SERVIÇO 

Lançamento e Show com Fausto Fawcett
Buenas BookStore / Bar Teatro Cemitério de Automóveis
Rua Frei Caneca, 384, Consolação – São Paulo – SP
Dia 27/11/2014, a partir das 19:00 hs

Contato para Imprensa 
Otavio Linhares
(41) 9911-8664
encrencaliteratura@gmail.com
encrencaliteratura.com.br

Entrevista com Luiz Felipe Leprevost, editor da Encrenca e autor de SALVAR OS PÁSSAROS

Foto de Olívia D'Agnoluzzo

Foto de Olívia D’Agnoluzzo

Em entrevista exclusiva ao site de literatura Posfácio, o escritor e editor Luiz Felipe Leprevost falou sobre o seu novo livro, o selo Encrenca – Literatura de Invenção, e suas experimentações estéticas com a linguagem.

Confira a entrevista na íntegra no link abaixo:
http://www.posfacio.com.br/2014/02/18/talvez-tenha-sido-um-jeito-de-me-sentir-menos-escravo-nesse-mundo-sufocante-entrevista-com-luiz-felipe-leprevost/